Inquisições

4.10.05

Estupidez

Um link na página da visão: Surpresa Fátima Felgueiras pede imunidade (a ideia é abrir o link e compará-lo com o conteúdo da notícia que aparece...). Após laboriosas e penantes horas de pesquisa uma coisa destas releva-se e merece destaque.. Não?

2.10.05

Six lessons from online coverage of Hurricane Rita

"Dwight Silverman, the Chronicle's interactive journalism editor ... went further, inviting local bloggers to contribute to a Stormwatchers group blog, where each local could give first-hand reports of his or her own neighborhood during the hurricane."

27.5.05

"O que é o ciberjornalismo?"

É quase magia – ao teclar jn.sapo.pt temos acesso quase instantâneo às notícias do dia, à versão online da edição do jornal. É, com efeito, a disponibilização de jornais na Internet que representa as raízes do ciberjornalismo. Contudo, isto começou, pelo menos em Portugal, há já dez anos atrás, e, entretanto, esta vertente da actividade jornalística já sofreu bastantes modificações.

Convém explicar que a chegada da Internet, mais do que mudar o jornalismo, mudou os meios de comunicação tradicionais. Da mesma maneira que a rádio teve que inventar uma maneira de sobreviver à chegada da televisão nos anos 60, ou a solução que a imprensa teve de descobrir para responder às mudanças que a mesma provocou nos seus conteúdos informativos, a Internet veio, por sua vez, a influenciar os outros três quase da mesma maneira que por eles foi influenciada (veja-se as páginas da RTP ou da TSF). Existe uma convergência de alterações que foram feitas em todos os meios, de forma a aproveitarem, segundo as suas possibilidades, o melhor que podem uns dos outros. Hoje em dia já não é suficiente copiar para a página online do jornal a versão que foi impressa (não deixando esta ideia de ter a sua utilidade), que também é o que acontece com muitos jornais portugueses.

Além disso, a especificidade do tipo de comunicação exigida pela Internet criou quase um livro de regras de como fazê-lo. A maneira como as pessoas lêem os textos é diferente, o grafismo de uma página é determinante, as cores utilizadas, o tipo, e sobretudo o tamanho de letra (que pode afastar numerosos leitores ao ter dimensões reduzidas, porque ler nos monitores é bastante cansativo para a vista), o tipo de linguagem utilizada, e os recursos que disponibiliza, sendo que este último campo é pouco explorado pelos principais media online (neste caso portugueses).

Mas o que é realmente ciberjornalismo? Temos profissionais do ramo jornalístico tradicional e a tecnologia necessária para criar um novo tipo de comunicação, bastante mais instantânea mas sem deixar de ser perene – existe a tendência entre a maior parte dos jornais de guardar todos os seus artigos em arquivos, (os quais chegam a tornar-se fontes de rendimento para muitos, cobrando o seu acesso, tendo passado todo o arquivo “material” do jornal para a página na Internet) – tendo bastante mais potencialidades, como o facto de poder existir numa página disponíveis notícias em texto, em áudio e em vídeo. Assim, facilmente concluímos que é acrescentada à já de si complicadíssima pergunta “o que é o jornalismo?” áreas a ter em conta quando queremos saber a resposta.

Satisfaria a curto prazo replicar que ciberjornalismo é o mesmo que jornalismo, apenas com novos recursos à disposição dos profissionais da área. No entanto, tanto a interactividade como a democraticidade da Internet corroboram esta resposta. Em primeiro plano, porque a participação dos utilizadores da Internet tem uma enorme importância para os proprietários das páginas, neste caso dos meios de comunicação, pois significa que consomem o que a página disponibiliza, desde o mais simples fórum de discussão até à mais flagrante publicidade que se lhe apresenta. Por outro, mais actual, que surgiu com a emergência dos blogues (ver "Um pequeno apoio cibernético"), através dos quais o cidadão começou a ganhar autonomia e independência em relação aos media tradicionais. Concomitantemente, surgiu vincadamente (porque já existia) o jornalismo amador e, como lhe chama Gillmor, jornalista americano rendido desde o início aos encantos da Internet, o cidadão-jornalista. Explicando melhor, verifica-se este fenómeno quando alguém tem um blogue que é visitado, por exemplo, por 5000 pessoas por dia, e consequentemente pode ter mais influência do que muitos jornais, e tendo em conta numerosos estudos sobre o papel dos media nas sociedades, influencia ao nível da imagem que as pessoas possam ter sobre o que é a sociedade que as rodeia, sobre o que pensam e discutem entre elas, entre muitas outras consequências, que podem ser tanto benéficas como catastróficas.

No fundo, as pessoas que recolhem os frutos do ciberjornalismo, isto é, da disponibilização online dos recursos dos media tradicionais (simplificando), procuram obter o mesmo, no que diz respeito ao jornalismo, ao que os meios de comunicação tradicionais já oferecem: informação. O que esta “área” tem realmente de novo a oferecer é uma cada vez maior diversificação (de conteúdos, de interactividade e de recursos – desde a mais simples “newsletter” até às despensas de RSS) de forma a satisfazer as necessidades de cada vez mais pessoas, atraindo e fidelizando-as.

Contudo, convém não esquecer que actualmente o que sustenta qualquer meio de comunicação é a publicidade, e normalmente são os media que vendem público aos agentes publicitários, e não esses agentes que compram apenas espaço para chegar até nós. Tal como já é necessário com a informação que recebemos diariamente, é preciso ter muita atenção ao navegar na Internet quando procuramos informação fidedigna, para não sermos manipulados...

13.5.05

Instaurado processo de tráfico de influências sobre ex-ministros


O ex-ministro do Ambiente, Luis Nobre Guedes, e o ex-dirigente do CDS/PP Abel Pinheiro foram, há dois dias, constituídos arguidos de um processo no âmbito de tráfico de influências. Está em causa um despacho assinado quatro dias antes das eleições legislativas de 20 de Fevereiro.

O despacho, que foi assinado por Nobre Guedes, Telmo Correia (na altura ministro do Turismo) e por Costa Neves (ex-ministro da Agricultura) permitiria a construção de um empreendimento turístico no concelho de Benavente, na Herdade da Vargem Fresca. Este estaria a cargo de um empresa ligada ao Grupo Espírito Santo (GES), e para a sua construcção era necessário o abate de 2605 sobreiros de uma área protegida.

São então suspeitos os arguidos (Nobre Guedes, Abel Pinheiro, responsável financeiro do CDS no tempo de Paulo Portas, e outros três dirigentes empresariais do GES) de favorecer a empresa Portucale, responsável pelo empreendimento.

Além disso, os responsáveis pela investigação que juntou as provas para iniciar o processo (como escutas telefónicas aos arguidos) associam esta ocorrência com outra empresa do GES, a Escom, que, além de alegadamente estar associada à compra de submarinos por Paulo Portas, está associada a outras áreas do campo financeiro, sendo que uma delas possa ter sido o financiamento da campanha do CDS nas eleições legislativas.

Entretanto foram já abatidas cerca de 900 árvores, até ter sido instaurada uma providência cautelar. Esta surgiu devido a pressões por parte de algumas organizações ambientais, como a QUERCUS.

Simplificando o artigo 335.º do Código Penal, pratica tráfico de influência quem tira proveito da sua posição ou cargo para obter benefícios patrimoniais junto de qualquer entidade, abusando assim da sua influência.

Links:
Nobre Guedes "contra" Telmo
Investigação há cinco meses
Abel Pinheiro desmente
Ex-dirigentes do CDS constituídos arguidos

30.4.05

Análise global dos principais media portugueses, online

Diários:

Começando pelo Público que, infelizmente, se rege segundo as leis do capitalismo, como é normal, e poucos são agora os recursos (de interesse comum) que estejam disponíveis não se sendo assinante. A estética da apresentação de conteúdos também não é muito agradável. Além disso, o único espaço para opinião pública é nos inquéritos realizados, nos quais mais não se pode dizer que "sim, "não" e "sem opinião".
O Diário de Notícias não tem espaço para opinião (mas tem provedor), está muito disperso e parece à primeira vista vazio de conteúdo (ou com pouco dele). Ainda por cima perde muito por ter um grafismo pobre.O Jornal de Notícias, no entanto, já apresenta um espaço dedicado a fóruns entre leitores. Apresenta-se também um pouco mais fácil de explorar, disponibilizando a qualquer visitante todos os seus recursos (que também não passam de texto e imagens, permitindo, todavia, aceder ao arquivo online).
Tanto o Correio da Manhã como o Jornal de Negócios estão a precisar urgentemente de uma reestruturação geral. Ambos estão muito concentrados, o que torna difícil a sua leitura, mais ainda a sua exploração. Contudo, disponibiliza espaço para intervenção dos leitores, e bastante variedade na informação disponibilizada.
O Comércio do Porto (espero que não seja efeito contrastivo devido aos dois últimos) apresenta um grafismo bastante agradável. Tem espaço de opinião, sobriamente apresentado, tal como todas as outras secções do jornal. É relativamente “leve” (visualmente) e fácil de explorar, além de fornecer alguns serviços como o arquivo ou fóruns de discussão.
Por fim, o Diário Económico apresenta também qualidade estética, sendo que parece à partida um pouco rudimentar. Contudo, poucos mais recursos disponibiliza além de foruns.

Semanários:

A Visão também não proporciona grande interesse. O grafismo é pouco apelativo. Também apenas disponibiliza um sumário de cada edição, o que é pouco. Tem espaço para o leitor se manifestar, logo na primeira página, sendo que um dos apelos é à crítica do próprio site.
O Expresso tem grafismo, espaço (ou seja, não está muito concentrado), é acessível e bem feito. Tem inquéritos e permite a manifestação de opinião. Contudo, os recursos que disponibiliza ainda são poucos, pouco mais que texto, além de algumas fotografias, mas todo o texto, sem restrições.
O Independente é muito simples. Quase todos os links que tem são para páginas em formato pdf, ou seja da edição impressa. De resto, nada mais tem. Parece ser o mais incompleto de todos, até agora.

Rádios:

O site da TSF é bastante rico em oferta de informação. Tem uma estética atractiva, se bem que um bocado pesada. Alia texto, imagem e som em quase tudo o que oferece. Além disso, tem feeds de rss, até agora o único, apesar de ser apenas para as últimas noticias. Oferece a grelha de programas, bem como o respectivo arquivo.
O site da Rádio Renascença também está muito bom. Tem bom aspecto, agradável. Fornece também em quase todas as suas notícias texto, imagem e som. Os programas emitidos estão disponíveis, assim como as várias categorias de informação oferecidas igualmente durante a emissão da própria rádio. Tem arquivo e disponibiliza meteorologia, programação, transito, passatempos e inquéritos, entre outros recursos.
O site da Antena1 está em remodelação, esperemos que não por muito tempo, não vão os seus habituais visitantes trocar as suas preferências.

Televisão:

A RTP tem um site com boa apresentação, fácil de explorar. Não dá muito destaque à informação, mas é bastante completo. Disponibiliza documentos e vídeos de algumas notícias. Apresenta também links para outras páginas de outros meios de comunicação, como a rádio. Adequa-se, sendo a RTP um canal generalista, de serviço público
A SIC já dá maior destaque as noticias, mas sem esquecer o pendor lúdico. Permite ver em directo o seu canal principal, bem como ver notícias que foram publicadas nas edições de telejornais. Está bem construído, é facilmente explorável e tem os recursos indispensáveis, dentro do que é esperado de um site de um canal televisivo.
A TVI, sendo dentro de todos os canais o que mais “desce” para obter audiências, fá-lo também com o seu site, que neste momento tem como fundo um tema alusivo à Quinta das Celebridades. Apesar de também estarem disponíveis (bastante discretos) é possível ver e ouvir notícias neste site, embora os recursos não sejam os melhores.

Jornais online:

O Portugal Diário parece ter à partida o que é preciso para fazer um jornal online. Tem texto e imagem, fóruns, está bem estruturada e tem boa apresentação. No entanto, perde nos recursos multimédia, ou seja, poderia ter som e vídeo para complementar a informação fornecida, o que não acontece. Fornece, no entanto, feeds de rss na secção de última hora.
O Diário Digital também disponibiliza apenas texto e imagem, não aproveitando o potencial que tem um jornal das suas características. Além disso, a sua forma de apresentação de conteúdos não é a melhor, pois obriga o leitor a um esforço dispensável para obter o que procura. Fora isso, é apelativo, e tem conteúdos simples, precisos e concisos.
O Mais Futebol, sendo dedicado especialmente ao futebol, como o nome indica, sofre praticamente das mesmas faltas de que sofrem os outros jornais digitais. Apesar de ser apresentável e relativamente fácil de explorar, os recursos que oferece não passam de texto e imagem. Dedica parte do seu espaço a inquéritos e fóruns, assim como a actividades lúdicas, como inquéritos para testar conhecimentos.

Desportivos:

O site do jornal O Jogo apresenta a melhor estética dos três sites desportivos. Simples e preciso, além de disponibilizar a edição do dia online, permite aceder ao arquivo (embora limitado às duas últimas semanas) e a inquéritos. Não disponibiliza, tal como todos os sites desta categoria, outros recursos senão texto e imagem.
O Record apresenta um site bastante mais rico em conteúdos. Além disso, permite ao utilizador uma maior personalização na navegação da página, realizável através de um registo no site. Tem também um estilo gráfico diferente, o que o torna bastante interessante de explorar, assim como um extenso arquivo.
O site do jornal A Bola permite aceder ao mesmo tipo de recursos que o do Record, desde todo o tipo de dados sobre a Superliga, por exemplo, até sondagens realizadas. Porém, perde em termos estéticos, pois exibe um formato muito compacto, muito pesado.

22.4.05

Links para conhecer Dune, de Frank Herbert

Sítios:

http://www.dunenovels.com/index.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Dune_(novel)
http://www.dunemessiah.com/
http://www.duneworld.org/

Mail list:

http://groups.yahoo.com/group/Dune/

Blogues (de ficção científica, pois não encontro mais específicos):

http://www.sflare.com/
http://www.sfsignal.com/

9.4.05

1984

Como explicar, senão transcrevendo o livro por inteiro, a possibilidade da impossibilidade de uma pessoa poder dizer que 2 + 2 são 4? Mais ortodoxo do que isso é o precisar de o ler para sequer pensar que o dizê-lo é já em si uma manifestação de liberdade pura. Liberdade para podermos fazer um raciocínio lógico sem qualquer tipo de imposição ou obstáculo exterior, coercivo. O que nos parece ridículo destacar, mas Orwell consegue torná-lo um realidade tão possível que ao ler dá a impressão de estarmos nela.
Entre os intervalos de leitura (porque entretanto pouco mais interessava) inconscientemente tinha cuidado com a minha expressão, com qualquer sinal que desse de estar contra o Partido... A punição do crimeideia é a morte, mais mental que física, é a submissão da mente à vontade do Partido. Tudo foi mais cinzento, tudo foi mais sufocante. Não deixa de ser um incentivo para uma introspecção, mais uma marca, proveniente de uma experiência única, na maneira de pensar em tudo o que temos de mais simples, e nem notamos, tendo como paralelo um sistema político perfeito, que se renova e sustém através da limitação do que é na sua essência um ser humano, bio-socio-cultural, uma distopia.
Não deixa de ser pouco, muito pouco o que tenha dito, ou o que se possa dizer. Para muitos, provavelmente não toquei em pontos essenciais, para outros tirei as elações erradas. Óptimo. Se possível, critiquem, por favor. Mais do que isso, quero que mais ninguém se arrependa como eu, pois só depois de tanto ouvir 1984 tenha tido preguiça em pegar-lhe, por ser algo tão "badalado". Não o é o suficiente... Fique à consciência de cada um.