Inquisições

9.4.05

1984

Como explicar, senão transcrevendo o livro por inteiro, a possibilidade da impossibilidade de uma pessoa poder dizer que 2 + 2 são 4? Mais ortodoxo do que isso é o precisar de o ler para sequer pensar que o dizê-lo é já em si uma manifestação de liberdade pura. Liberdade para podermos fazer um raciocínio lógico sem qualquer tipo de imposição ou obstáculo exterior, coercivo. O que nos parece ridículo destacar, mas Orwell consegue torná-lo um realidade tão possível que ao ler dá a impressão de estarmos nela.
Entre os intervalos de leitura (porque entretanto pouco mais interessava) inconscientemente tinha cuidado com a minha expressão, com qualquer sinal que desse de estar contra o Partido... A punição do crimeideia é a morte, mais mental que física, é a submissão da mente à vontade do Partido. Tudo foi mais cinzento, tudo foi mais sufocante. Não deixa de ser um incentivo para uma introspecção, mais uma marca, proveniente de uma experiência única, na maneira de pensar em tudo o que temos de mais simples, e nem notamos, tendo como paralelo um sistema político perfeito, que se renova e sustém através da limitação do que é na sua essência um ser humano, bio-socio-cultural, uma distopia.
Não deixa de ser pouco, muito pouco o que tenha dito, ou o que se possa dizer. Para muitos, provavelmente não toquei em pontos essenciais, para outros tirei as elações erradas. Óptimo. Se possível, critiquem, por favor. Mais do que isso, quero que mais ninguém se arrependa como eu, pois só depois de tanto ouvir 1984 tenha tido preguiça em pegar-lhe, por ser algo tão "badalado". Não o é o suficiente... Fique à consciência de cada um.

1 Comments:

At 15:02, Blogger NoMercy said...

Gostei! Já dei muitas vezes por mim a pensar no facto de 2+2 serem realmente 4.

Espero também vir a tempo, e sim, foste mesmo a tempo. Acho que só agora é que comecei a escrever eu!

 

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