Inquisições

13.5.05

Instaurado processo de tráfico de influências sobre ex-ministros


O ex-ministro do Ambiente, Luis Nobre Guedes, e o ex-dirigente do CDS/PP Abel Pinheiro foram, há dois dias, constituídos arguidos de um processo no âmbito de tráfico de influências. Está em causa um despacho assinado quatro dias antes das eleições legislativas de 20 de Fevereiro.

O despacho, que foi assinado por Nobre Guedes, Telmo Correia (na altura ministro do Turismo) e por Costa Neves (ex-ministro da Agricultura) permitiria a construção de um empreendimento turístico no concelho de Benavente, na Herdade da Vargem Fresca. Este estaria a cargo de um empresa ligada ao Grupo Espírito Santo (GES), e para a sua construcção era necessário o abate de 2605 sobreiros de uma área protegida.

São então suspeitos os arguidos (Nobre Guedes, Abel Pinheiro, responsável financeiro do CDS no tempo de Paulo Portas, e outros três dirigentes empresariais do GES) de favorecer a empresa Portucale, responsável pelo empreendimento.

Além disso, os responsáveis pela investigação que juntou as provas para iniciar o processo (como escutas telefónicas aos arguidos) associam esta ocorrência com outra empresa do GES, a Escom, que, além de alegadamente estar associada à compra de submarinos por Paulo Portas, está associada a outras áreas do campo financeiro, sendo que uma delas possa ter sido o financiamento da campanha do CDS nas eleições legislativas.

Entretanto foram já abatidas cerca de 900 árvores, até ter sido instaurada uma providência cautelar. Esta surgiu devido a pressões por parte de algumas organizações ambientais, como a QUERCUS.

Simplificando o artigo 335.º do Código Penal, pratica tráfico de influência quem tira proveito da sua posição ou cargo para obter benefícios patrimoniais junto de qualquer entidade, abusando assim da sua influência.

Links:
Nobre Guedes "contra" Telmo
Investigação há cinco meses
Abel Pinheiro desmente
Ex-dirigentes do CDS constituídos arguidos

2 Comments:

At 16:13, Anonymous Helder Bastos said...

Jaime,

1. Escreve-se construção e não construcção.

2. Os arguidos não são acusados: são suspeitos

3. "muitíssimas áreas": expressão a evitar num texto jornalístico

4. Falta o parágrafo final a explicar o que é "tráfico de influências"

 
At 16:24, Anonymous Helder Bastos said...

5. Faltam também os 4 links no final do texto

 

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