Inquisições

27.5.05

"O que é o ciberjornalismo?"

É quase magia – ao teclar jn.sapo.pt temos acesso quase instantâneo às notícias do dia, à versão online da edição do jornal. É, com efeito, a disponibilização de jornais na Internet que representa as raízes do ciberjornalismo. Contudo, isto começou, pelo menos em Portugal, há já dez anos atrás, e, entretanto, esta vertente da actividade jornalística já sofreu bastantes modificações.

Convém explicar que a chegada da Internet, mais do que mudar o jornalismo, mudou os meios de comunicação tradicionais. Da mesma maneira que a rádio teve que inventar uma maneira de sobreviver à chegada da televisão nos anos 60, ou a solução que a imprensa teve de descobrir para responder às mudanças que a mesma provocou nos seus conteúdos informativos, a Internet veio, por sua vez, a influenciar os outros três quase da mesma maneira que por eles foi influenciada (veja-se as páginas da RTP ou da TSF). Existe uma convergência de alterações que foram feitas em todos os meios, de forma a aproveitarem, segundo as suas possibilidades, o melhor que podem uns dos outros. Hoje em dia já não é suficiente copiar para a página online do jornal a versão que foi impressa (não deixando esta ideia de ter a sua utilidade), que também é o que acontece com muitos jornais portugueses.

Além disso, a especificidade do tipo de comunicação exigida pela Internet criou quase um livro de regras de como fazê-lo. A maneira como as pessoas lêem os textos é diferente, o grafismo de uma página é determinante, as cores utilizadas, o tipo, e sobretudo o tamanho de letra (que pode afastar numerosos leitores ao ter dimensões reduzidas, porque ler nos monitores é bastante cansativo para a vista), o tipo de linguagem utilizada, e os recursos que disponibiliza, sendo que este último campo é pouco explorado pelos principais media online (neste caso portugueses).

Mas o que é realmente ciberjornalismo? Temos profissionais do ramo jornalístico tradicional e a tecnologia necessária para criar um novo tipo de comunicação, bastante mais instantânea mas sem deixar de ser perene – existe a tendência entre a maior parte dos jornais de guardar todos os seus artigos em arquivos, (os quais chegam a tornar-se fontes de rendimento para muitos, cobrando o seu acesso, tendo passado todo o arquivo “material” do jornal para a página na Internet) – tendo bastante mais potencialidades, como o facto de poder existir numa página disponíveis notícias em texto, em áudio e em vídeo. Assim, facilmente concluímos que é acrescentada à já de si complicadíssima pergunta “o que é o jornalismo?” áreas a ter em conta quando queremos saber a resposta.

Satisfaria a curto prazo replicar que ciberjornalismo é o mesmo que jornalismo, apenas com novos recursos à disposição dos profissionais da área. No entanto, tanto a interactividade como a democraticidade da Internet corroboram esta resposta. Em primeiro plano, porque a participação dos utilizadores da Internet tem uma enorme importância para os proprietários das páginas, neste caso dos meios de comunicação, pois significa que consomem o que a página disponibiliza, desde o mais simples fórum de discussão até à mais flagrante publicidade que se lhe apresenta. Por outro, mais actual, que surgiu com a emergência dos blogues (ver "Um pequeno apoio cibernético"), através dos quais o cidadão começou a ganhar autonomia e independência em relação aos media tradicionais. Concomitantemente, surgiu vincadamente (porque já existia) o jornalismo amador e, como lhe chama Gillmor, jornalista americano rendido desde o início aos encantos da Internet, o cidadão-jornalista. Explicando melhor, verifica-se este fenómeno quando alguém tem um blogue que é visitado, por exemplo, por 5000 pessoas por dia, e consequentemente pode ter mais influência do que muitos jornais, e tendo em conta numerosos estudos sobre o papel dos media nas sociedades, influencia ao nível da imagem que as pessoas possam ter sobre o que é a sociedade que as rodeia, sobre o que pensam e discutem entre elas, entre muitas outras consequências, que podem ser tanto benéficas como catastróficas.

No fundo, as pessoas que recolhem os frutos do ciberjornalismo, isto é, da disponibilização online dos recursos dos media tradicionais (simplificando), procuram obter o mesmo, no que diz respeito ao jornalismo, ao que os meios de comunicação tradicionais já oferecem: informação. O que esta “área” tem realmente de novo a oferecer é uma cada vez maior diversificação (de conteúdos, de interactividade e de recursos – desde a mais simples “newsletter” até às despensas de RSS) de forma a satisfazer as necessidades de cada vez mais pessoas, atraindo e fidelizando-as.

Contudo, convém não esquecer que actualmente o que sustenta qualquer meio de comunicação é a publicidade, e normalmente são os media que vendem público aos agentes publicitários, e não esses agentes que compram apenas espaço para chegar até nós. Tal como já é necessário com a informação que recebemos diariamente, é preciso ter muita atenção ao navegar na Internet quando procuramos informação fidedigna, para não sermos manipulados...

1 Comments:

At 15:19, Anonymous Blackjack Games said...

The theme is interesting, I will take part in discussion.

 

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